
27, 28 e 29 de Abril de 2026 | Universidade do Estado do Amazonas (UEA) - Manaus/AM




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realizaçÃo




Embaixada da França no Brasil e a Iniciativa Amazônia + 10 em cooperação com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), vão oportunizar um espaço democrático de debate para 30 participantes selecionados por este Edital.
O ano de 2025 evidenciou, mais uma vez, como os povos indígenas permanecem em constante ataque de vários segmentos da sociedade brasileira haja vista o Marco Temporal ainda ser pauta nos poderes.
Reconhecendo essa relidade e seus desafios, a Comissão Organizadora do Workshop Trilateral Brasil, Guiana-Francesa e França "Caminhos de oralidade em terras de literatura: Povos indígenas e as violências" convida pós-graduandas/os e pós-graduadas/os que pesquisam assuntos relacionados ao tema a apresentarem suas incrições para apoio até o dia 31 de janeiro de 2026.

violÊncia
Perpassa pela história dos povos originários no Brasil o sofrimento com diversos processos de violência, desde o etnocídio contra seus corpos-território até o ataque às suas cosmologias e existência. Na contemporaneidade, este eixo busca problematizar fenômenos estruturais como o acirramento dos conflitos em torno da terra, o desmatamento, a exploração mineradora e a expansão agropecuária. Inspirado por vozes como Ailton Krenak e Davi Kopenawa, o objetivo é refletir sobre as causas e consequências dessas violações, buscando caminhos de resistência e a possibilidade de pensar outros mundos possíveis.
eixos temáticos

oralidade
A oralidade é o elemento essencial na cultura dos povos originários, sendo o meio pelo qual histórias, formas de existir e ensinamentos ancestrais são transmitidos. Este eixo propõe o reconhecimento das epistemologias indígenas, historicamente silenciadas por uma sociedade estruturada na colonização perpétua e na hierarquização de saberes que legitima apenas o conhecimento científico. Em um momento de resgate e valorização linguística, o debate foca na coexistência entre tradições orais e escritas, visando a construção de perspectivas educativas e sociais comprometidas com a justiça e a diversidade.

literatura
Para além da luta política, emerge atualmente o protagonismo dos "artevistas": artistas que utilizam a expressão cultural para criticar a sociedade vigente e romper com os cânones tradicionais. Este eixo debate formas de expressão polivalentes e polissêmicas — como as de Jader Esbell e Daniel Munduruku — que trabalham imagem, palavra e sonhos em conjunto. A proposta é confrontar o colonialismo que atravessa o saber acadêmico, ressaltando que a literatura indígena é também uma ferramenta de resistência feminista e ancestral, onde o ataque ao território implica na violação dos corpos e de seus saberes.

Dia 27/04 – Segunda-feira
08h30 – 11h30: Sessão de Workshop – Eixo Oralidade (10 comunicações)
11h30 – 13h30: Intervalo para Almoço
13h30 – 14h00: Ritual Indígena: O tempo Sagrado da vida, com a Majé Cláudia Flor
14h00 – 15h00: Abertura Oficial do Workshop com Reitoria UEA, Embaixada da França e Iniciativa Amazônia+10
15h00 – 17h00: Painel de Redes de Cooperação Acadêmica Brasil, França e Guiana Francesa
17h00 – 17h30: Coffee-break
17h30 –18h30: Abertura da Exposição “Pareidolia”, de Emílio Boschilia
19h30 – 21h00: Conferência de Abertura: "Oralidade, Escrita e Ancestralidade" com Ailton Krenak
programaçÃo
Dia 28/04 – Terça-feira
08h30 – 11h30: Sessão de Workshop – Eixo Literatura (10 comunicações)
11h30 – 13h30: Intervalo para Almoço
13h30 – 16h00: Mesa-redonda 1 – Ancestralidade, com Márcia Mura e Ailton Krenak
16h00 – 16h15: Coffee-break
16h15 – 18h30: Mesa-redonda 2 – Oralidade(s): Saberes ancestrais e identidades
19h30 – 21h30: Sessão de Workshop – Eixo Violência (10 comunicações)
Dia 29/04 – Quarta-feira
08h30 – 10h45: Mesa-redonda 3 – Literatura(s): Criação digital e estudos decoloniais
11h00 – 13h30: Almoço AMRN
14h00 – 15h30: Mesa-redonda 4 (Cont.): Poesia Indígena Contemporânea e Resistência Indígena
15h30 – 17h45: Mesa-redonda 5 – Violência(s): Violência de Estado e simbólica
19h30 – 20h00: Apresentação da Orquestra da Floresta
20h00 – 21h30: Conferência de Encerramento com Eva Potiguara





convidados
convidados
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Ailton Krenak
Pertencente ao povo Krenak, que habita a região do Rio Doce (WATU), atingidos brutalmente pelo desastre de Brumadinho. Líder indígena, ambientalista, escritor de vários livros e filósofo. Foi o primeiro indígena a assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, rompendo barreiras com sua fala pujante e necessária de ser ouvida.

Eva Potiguara
Filha, mãe, pertencente ao povo da Aldeia Sagi Jacu de Baia Formosa/RN. É escritora, poeta, contadora de história e pesquisadora. É Coordenadora do Mulherio Nacional das Letras Indígenas, no qual desenvolveu o projeto literário “Álbum Biográfico Guerreiras da Ancestralidade 2022”, que conquistou o Prêmio Jabuti 2023 na categoria “Fomento à leitura”.

Natália Guerellus
Maitresse de Conférences (professora adjunta) no departamento de português da Université Jean Moulin Lyon 3, doutora em História pela Universidade Federal Fluminense, especialista das relações entre gênero, literatura e política. É autora dos livros "A velha devorou a moça: Rachel de Queiroz e a política no Brasil" (Appris, 2019), "Le vestibule de l’impossible: genre, littérature et politique dans la trajectoire de Natália Correia" (Le poisson volant, 2021) e do livro digital, bilíngue e interativo "Colonialismos e colonialidades: teorias e circulações em francês e português"

Giulia Manera
Professora de literatura brasileira na Université de Guyane (França). Doutora pela Universidade Paris Nanterre em Cotutela com a Universidade de São Paulo – USP (Brasil) em Estudos Românicos-Português. É autora de numerosos trabalhos sobre representações de gênero, literatura feminina e feminismos no Brasil contemporâneo e coorganiza desde 2019 o Seminário de Pesquisa Multidisciplinar FEMPOCO – Feminismos Pós-Coloniais na Université de Guyane.

Márcia Mura
Doutora em História e integrante do NEHO. Atua na reafirmação da memória indígena através da oralidade como fio condutor de memórias na Amazônia. Autora do livro O espaço lembrado: Experiência de vida em seringais da Amazônia (Edua, 2012). Recebeu o prêmio de intercâmbio cultural do Ministério da Cultura em 2010.16

Cláudia A. Flor D'Maria
Pertence ao povo indígena Itaquêra, das terras Marajoaras, no Pará. É doutora em Ensino pela Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES). Sua vida é marcada pela escrita literária, é poeta, mãe, majé e professora da Instituto Federal do Pará (IFAP). Construiu uma trajetória marcante como ativista indígena, faz de sua escrita um ato de resistência e para a preservação da cultura indígena ancestral.

Ellen Lima Wassu
Poeta, multiartista, aprendiz de terra e mais bicho que gente. De origem Wassu Cocal (AL), nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e atua artisticamente entre o Brasil e Portugal. Doutoranda em Modernidades Comparadas, pela Universidade Minho (PT) e desenvolve práticas que atravessam poesia, arte e pensamento contra colonial. Publicou ixé ygara voltando pra ’y’kûá (2021), ybykûatiara – um livro de terra (2023) e New Ancient Words (2025).

Christina Roquette Lopreato
Professora aposentada do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), autora de vários livros: A semana trágica: a greve geral anarquista de 1917. São Paulo: Museu da Imigração, 1997; Milagres da fé: messianismo e repressão política no Brasil dos anos 70 Editora da UNICAMP, 1999; O espírito da revolta: a greve geral anarquista de 1917. Annablume/FAPESP, 2000. Atualmente dedica-se aos estudos sobre a não violência.

Cristiane da Silveira
Doutora pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP) e professora associada da Universidade do Estado do Amazonas. Dedica-se à estudos sobre educação em contextos amazônicos, manifestações culturais, oralidade, relações étnico-raciais, movimento e cultura indígena.

Roseli Boschilia
Professora titular vinculada ao curso de graduação e ao programa de pós-graduação em História, na Universidade Federal do Paraná. Suas pesquisas atuais estão relacionadas ao tema dos deslocamentos migratórios, especialmente de populações vulneráveis, com foco nas narrativas autobiográficas e nas políticas de memória e de esquecimento.

Marion Brepohl
Docente e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná, com expertise em redes de cooperação acadêmica e estudos sobre violência de estado e ditadura.

Alice Pantel
Pesquisadora da Université Jean Moulin Lyon 3, dedicada ao projeto Lifranum e ao desenvolvimento de ferramentas para a literatura digital.

Carla Conradi
Professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, focada em temas de protagonismo político e legado de lutas sociais.

Kátia Cilene
Professora da Universidade Federal do Amazonas, dedicada aos estudos de oralidade e culturas amazônicas.

Márcia Antonelli
Ativista focada na interseccionalidade, trabalhando a resistência das mulheres trans e dos povos indígenas na Amazônia.

Ana Maria Veiga
Professora da Universidade Federal da Paraíba, especialista em saberes ancestrais afro-indígenas e práticas de cura.

Ananda Machado
Professora da Universidade Federal de Roraima, com vasta experiência em linguística e literaturas de povos originários.

Bruno Braga
Pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atua em discussões interdisciplinares com foco no eixo de oralidade, contribuindo para o debate sobre os processos de resistência e comunicação das populações amazônicas.

César Queiroz
Pesquisador e docente da UFAM, especialista em história e fenômenos de violência.
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Kátia do Nascimento Couceiro
Vice-reitora reeleita da UEA para o quadriênio 2026-2030 e atua na gestão estratégica para consolidar o ensino superior e a integração regional no Amazonas. Médica com mestrado em Educação Médica pela Universidade Federal Paulista (Unifesp); doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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Dr. André Luiz Nunes Zogahib
Reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), graduado em Administração de Empresas, Administração Pública e Direito. Possui especialização, mestrado e doutorado em Administração Pública. É professor do quadro efetivo da UEA, foi coordenador de cursos de graduação, especialização e mestrado, pró-Reitor de Planejamento e pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários.

comitê científico
Cristiane da Silveira (PPGICH/UEA)
Natália Guerellus (Lyon 3)
Giulia Maneira (UG) Roseli Boschilia (UFPR)
Marion Brepohl (UFPR)
Eva Potiguara (UFRN)
Roseli Boschilia (UFPR)
Gilvani Araujo (UFAM/UFPR)
Christina Roquette Lopreato (UFU)
Ananda Machado (UFRR)
César Augusto Bubolz Queirós (UFAM)
Kátia Cilene do Couto (UFAM)

Inscrições para pesquisadores
Estamos selecionando 30 participantes (pesquisadores/as em início de carreira) ligados aos eixos temáticos. Residentes de fora de Manaus terão custeio de deslocamento e diárias.
O que é necessário enviar?
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Carta de candidatura.
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Texto completo (15 a 20 páginas) com as referências incluídas e com temática relacionada a um dos três eixos do Workshop.
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Currículo Lattes atualizado.
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Formulário de autodeclaração.
Envio de propostas até 31/01/2026